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QUELQUES CONTES POLICIERS 

 

2nde - PLV2 section européenne


     - O crime perfeito
     - A morte da futura noiva
     - A criança
     - A cavalariça








 

O Crime Perfeito

 

 

Hoje foi o meu primeiro dia de estágio no “Diario de Noticias”. Foi muito cansativo. A minha primeira tarefa lá foi de levar o café a todos os jornalistas. O senhor Henrique, meu chefe, me pôs a cargo de coisas muito entediantes, então o dia foi bastante monótono. Eu tive que reorganizar varios obituários velhos e até os de hoje. Recentemente tem havido muitos suicídios.. Eu me pergunto porque fazem isso, é uma estupidez...

 


     Na hora do almoço, conheci um outro estagiário chamado Pedro. Ele era muito simpático e ele me explicou mais ou menos o nosso trabalho como estagiários: teríamos que levar o café aos jornalistas, fazer fotocópias, organizar documentos velhos e trancar as portas antes de sair. Eu falei com o Pedro durante todo o almoço mas nos separámos para voltar aos nossos postos.


     Demorou bastante a reorganização dos ficheiros (o que me fez ficar até tarde no jornal). Às 11horas, quando terminei, fui trancar as portas do jornal. A senhora da limpeza já tinha terminado o seu trabalho e já tinha ido embora. Estava só... pensava eu. Enquanto me dirigia para a saída, escutei passos; mas não era suposto haver ninguém no jornal, então eu fui ver o que se estava a passar.


     Antes de chegar ao meu destino, escutei um barulho ensurdecedor, um grito e um “BOOM”. Comecei a correr e quando finalmente cheguei, havia alguém jogado no chão. Olhei à minha volta para ver se havia alguém, mas aparentemente estávamos sozinhos.  Achei que talvez ele tivesse escorregado no chão que continuava húmido. Cheguei perto dele, balancei-o e confirmei a sua morte...

Foi como se o meu coração tivesse parado. Havia um homem morto na minha frente. Neste trabalho eu sabia que eventualmente ia presenciar mortes de meus camaradas mas nunca pensei que fosse tão cedo...e muito menos no próprio jornal.


     Quando a polícia chegou, retracei todo o meu dia para eles, e respondí a uma centena de perguntas que não tinham nada a ver com a morte do meu colega. Finalmente, depois de 2 horas de interrogatório, os agentes me revelaram que encontraram uma marca vermelha no braço da víctima. Como se lhe tivessem apertado o braço forte demais... eles me perguntaram se teria sido eu a sacudi-lo mas eu lhes afirmei que não.


Meu pai, o chefe da polícia, só pôde falar comigo depois do interrogatório:

    - Desculpe não tê-lo tirado de lá mais cedo filho, mas sabe como é, são as regras”

    - Na boa, pai. Mas me impressionou muito ver o meu colega morto. Eu não o conhecia bem, mas hoje fui-lhe levar café e ele foi muito simpático comigo apesar de eu ser novo.”

Meu pai, Manuel, pôs a mão no meu ombro. Ele não falou mais nada, mas o simples facto dele estar lá me acalmou bastante.


Não fui ao jornal no dia seguinte. Não consegui me levantar... mas as minhas forças voltaram no dia a seguir, e quando cheguei ao jornal todas as pessoas foram muito simpáticas e acolhedoras comigo.


A minha vida voltou ao normal depois de tão só uma semana. Voltei às minhas obrigações de levar o café aos meus superiores, organizar documentos e ter a certeza absoluta que não havia mortos antes de trancar as portas.

No meu sétimo dia no jornal,  já sabia como tudo funcionava. Já sabia a comida favorita dos meus chefes e jeitos muito úteis de lhes pedir favores. Na manhã do meu oitavo dia, quando ia buscar o expresso do senhor Henrique, me encontrei com a Cláudia, a secretária do chefe administrativo. Ela era linda, loira e só tinha 26 anos.


   - Olá Luís e então? Como vão as coisas? » ela perguntou.

    - Olá. Comigo tá tudo bem e contigo? »
   - Vai andando... vai andando... Hoje o meu chefe quer que eu lhe entregue os documentos financeiros da reportagem sobre Lima.

   - Ah! Isso foi uma confusão não foi?
   - Pois. Mas olha, falamos mas tarde, ok? Eu já tenho que ir. »

Fiquei a olhar a Cláudia se afastar, indo em direção ao edifício administrativo, e quando eu já não a consegui ver, paguei o expresso e fui embora.


A minha tarde com o Pedro passou-se muito normalmente. O « Pepe » (nova alcunha do meu amigo), conseguiu as chaves que davam no telhado, então passámos toda a hora do almoço no McDonalds e falando sobre a vida debaixo do sol de verão.

   - Então Luís, porquê essa cara? » me perguntou o Pepe

    -Ah, não é nada... É só que tive uma semana muito agitada » confessei
   - Pois... com uma semana dessas até EU ficava cansado »

Mil e um comentários sarcásticos e irónicos vieram à minha cabeça depois desse « Até EU », mas decidi não responder nada. Estava cansado demais.

 

Às 6 da tarde quando as primeiras pessoas começaram a sair, o chefe administrativo, o senhor Ricardo, veio para a secção dos obituários onde eu tinha sido colocado. Ele se dirigiu na minha direccção e me perguntou se eu sabia onde a Cláudia estava. Um pouco desorientado sobre o porquê ele me perguntaria a mim o paradeiro da Cláudia, respondí que não sabia, e depois de me sorrir, foi embora.

 

Às 9 da noite, já se tinham ido todos do meu sector. Eu sempre me perguntei o porquê eles deixariam um estagiário, desde o primeiro dia, trancar as portas. Talvez fosse pelo facto de eu ser filho do chefe da polícia. Mas assim mesmo era bastante arriscado. E cheguei onde estou sem a ajuda de meu pai, e podia então querer ler artigos e ficheiros confidenciais. Não que eu queira...mas eu não deixaria estagiários trancarem as portas.


Fui verificar que não havia mais ninguém nas salas. No gabinete do chefe : ninguém. Na cozinha : ninguém. No banheiro : ninguém. No chão do escritório administrativo : alguém! E não qualquer pessoa : Cláudia!

Estava atirada no chão, com os olhos abertos e sangue a sair da boca. Também havia um copo de café atirado no chão com café a molhar-lhe as pernas onde eu finalmente vi : uma grande marca vermelha no seu joelho. Inquieto, peguei no meu celular, e com os dedos ainda a tremer, liguei à unica pessoa que me podia ajudar:

   - Pai... Eu preciso que você venha para o jornal »

 

Passei o dia seguinte inteiro na esquadra a ser interrogado. Não posso dizer que não o esperava... Agora eu era suspeito de 2 assassinatos. E mais interessante ainda :  tinha estado perto das vítimas durante suas mortes. Ah! Se eu estivesse vendo a história por outros olhos, até eu pensaria que sou o culpado.


    - Luis. Não se preocupe, eu sei que é inocente - me disse meu pai. Mas realmente parece que querem culpá-lo...

    - Pois.. Eu devo ter algum inimigo do qual eu não saiba.

   - Então eu vou precisar que responda a algumas perguntas, filho. E também vou precisar que me descreva todos os seus dias de trabalho no jornal.


     Quando  o interrogatório terminou eu fui direto ao jornal. Tive cuidado para que ninguém me visse, mas esse cuidado nao foi necessário... Estavam todos no funeral da Cláudia.

Obviamente não fui convidado... A família me achava culpado...

     Entrei na sala de arquivos e com a chave mestra abri a gaveta dos obituários. Enquanto os organizava, vi que havia umas quantas mortes bastantes suspeitas.

Todas pareciam acidentes, todas eram de jornalistas, e todas as vítimas tinham marcas vermelhas no corpo.

     A polícia considerava as marcas como efeitos secundários do acidente, mas eu já estava a ver que o meu pai discordava. Ele não é o tipo de homem que vê isso como acidentes. E eu também não! Havia demasiadas coincidências. Até me surpreendeu que a polícia não tivesse abordado este caso antes....


Contei os obituários e vi 6 mortes:

· 2 rapazes universitários no último ano de jornalismo (jovens Diogo Marinheiro e João Martin)

· 2 jornalistas do “Expresso” (Benjamin Pato e Alexandre Paes)

· e as duas víctimas do “Diário de Notícias” (Tomás Passarinho e Cláudia Aramar).


Fiquei a estudá-los a noite inteira, e na manhã seguinte fui ao trabalho.

Quando passava, as pessoas se calavam. E esse silêncio incómodo e esses olhares cheios de terror me perseguiram o dia inteiro, roendo lentamente a minha alma.


    - Que cara mais feia, me disse o Pepe, pondo a mão no meu ombro.

    - Pois...as pessoas me olham como se eu fosse o culpado.

Pepe não respondeu, ele só apertou amigavelmente o meu ombro.

    - Ah! Espera aí! Tu trabalhaste algumas semanas no “Expresso" não foi? - perguntei eu.

Pepe não respondeu mas tirou a sua mão do meu ombro precipitadamente.

    - Você conhecia os jornalistas que foram assassinados, não conhecia? eu perguntei.

De repente, a cara do Pepe ficou pálida e o vento frio que soprou a minha nuca me fez comecar a suar.

    - Não, eu não os conhecia,  respondeu o Pepe de um tom seco.

Eu não entendi bem o que tinha acontecido mas decidi que era melhor não insistir.


 No dia seguinte já era sábado.

Não tinha conseguido dormir... A reacção do Pepe assombrava os meus sonhos e intrigava a minha alma já curiosa de jornalista. Me intrigava demais para não investigar...

Eu não sabia bem como começar... era o primeiro caso a sério...

Talvez eu devesse pedir ajuda ao meu pai... Mas nesse caso, era muito possível que depois de lhe revelar todas as minhas ideias e suspeitas, ele me deixasse de fora do caso ou até que eu suspeitasse do homem errado e fizesse com que o verdadeiro assassino pudesse fugir.

Mas quanto mais eu pensava nessa possibilidade, menos possível ela me parecia.

Eu não desconfiava do Pedro como sendo o assassino, só desconfiava da quantidade de informação que ele realmente tivesse sobre esses casos.

E além disso, sem a ajuda do meu pai, seria impossível para mim, um jovem estágiario, obter verdadeira informação sem levantar suspeitas.

Decidi  falar com o meu pai. Fui à esquadra e lhe revelei tudo. Ele me fez esperar duas horas e depois conseguiu me trazer um ficheiro sobre o Pedro.

Aparentemente o Pedro conhecia todas as víctimas... Ele tinha ido para a escola com eles todos e eles eram membros activos do clube de jornalismo. Eu vi na cara de meu pai um leve sinal de suspeita, mas eu consegui apagar esse índice ao dizer-lhe que muitas pessoas podem ter ido para à mesma escola e conseguir resistir à tentação de matar os colegas. Também consegui provar que o Pepe os conhecia... Mas, de repente,  um calafrio passou pela minha espinha quando cheguei a uma conclusão bastante sombria : e se ele fosse a próxima víctima?

A partir do momento em que descobrimos que o Pepe conhecia as víctimas, ele tanto era um suspeito como uma testemunha.

    - Vai falar com o seu amigo, Luis. Quando eu terminar com este ficheiro, mando agentes para a casa do Pedro Vasconcelos,  me disse o meu pai.


     Depois de 10 minutos de tráfego, eu cheguei na casa do Pepe. Bati na porta com tanta força que o meu dedo estalou. Doeu por um tempinho, mas o Pepe abriu a porta com bastante pressa depois daquele barulho todo.

    - E tu que fazes aqui? me perguntou o meu amigo enquanto eu entrava na casa.

    - Está em perigo, lhe anunciei. As víctimas... todas as víctimas estudaram na sua escola... Você pode ser o próximo"

Um silèncio ensurdecedor encheu a sala e o meu coração. A cara do Pedro, pálida, em choque e aterrorizada, foi possivelmente o que mais me marcou no momento...

Comecei a lhe explicar todas as nossas deduções. Por fim eu lhe revelei que tínhamos chegado à conclusão que ele era ou o culpado ou, pelo menos, uma valiosa testemunha.

    - Eu sei que você não os matou, mas acredito que saiba quem o fez, confessei.

Aquele silêncio horrível e desconfortável voltou...mas foi logo quebrado por uma risada tão sádica que o meu coração parou.

    - Pois, Luís. Eu sei quem o fez! Mas não preciso que te procupes comigo. Como podes ter a certeza que não fui eu?! Não gozes com a minha cara! Fui eu desde o começo! Tu é que estás em perigo, Luís!"

O olhar do Pedro mudou completamente. Havia alguma coisa de salvagem e de cruel na sua expressão. Uma súbita loucura que se apoderou de sua alma. Ele nem parecia mais o meu amigo...

As minha pernas começaram a tremer  eu tive que recuar para me apoiar na parede.

A minha mente ficou em branco e eu sentí uma terrível pressão no meu coração.

    - Não...não! Você não era assim!!! Foram as únicas palavras que eu consegui dizer. Eu as repeti e as repeti... tentando me convencer que aquilo era tudo um pesadelo."Não...não pode ser..."

    - Ah, mas é verdade. Eu fingi ser teu amigo porque parecias inocente e indefeso. Foi uma pena seres filho do chefe de polícia. Senão já terias sido acusado de assassinato em massa, ele riu.

A minha cabeça se esvaziou ainda mais. Estava em choque. O Pedro? O meu amigo?um assassino?!...eu tentei me convencer do contrário, mas depois do que ele disse, era impossível...

Nesse momento, o Pedro se dirigiu à cozinha para buscar uma faca.

Foi então que eu vi a chance, provavelmente a única que eu teria, de ligar ao meu pai. Consegui marcar o número e apertar no botão verde de chamar, mas foi nesse momento que o Pepe... digo Pedro voltou.

Escondí o celular atrás de mim, e pus as minhas mãos na cabeça.

   - Mas porquê? porque os mataste?, exigi saber

  - Poque sim,  respondeu com um sorriso. Porque eles não me aceitavam! Porque quando estávamos na escola eles gozavam comigo! Porque eu queria me livrar deles. Ainda que perguntes, a verdade é que eu não tenho uma resposta. Eu os matei por tudo e por nada. Simplesmente não os queria ver, riu-se. Os universitários foram os primeiros. Foi tão fácil que nem parecia um crime. Riu-se de novo. O Diogo e o João eram muito amigos e gostavam muito de acelerar nas curvas, então eu só tive que cortar o freio e voilà. A emoção de o ver naquele carro foi tanta que continuei. Primeiro cortei o tubo de gaz da casa do Benjamim e electrocutei o Alexandre na banheira. Foi o crime perfeito, disse a rir.

    - Mas e a Cláudia?"

    - Ah! No fundo eu acho que até queria ser descoberto... matei a Cláudia porque sabia que te culpariam pela sua morte. Eu queria simplesmente saber se eras inocente o suficiente para me defender numa situação dessas.

    - Me metes nojo, cuspi-lhe.

    -  Ahahah! Tu também.... Adeus, Luís..."

Fomos subitamente interrompidos quando a porta da casa foi arrombada. O meu plano tinha funcionado, o meu pai entendeu a situação e a polícia chegou a tempo de me salvar.

     Foi assim que em tão só duas semanas a minha vida mudou e o meu mundo foi quase destruído.

 

 

                                                                                                                Conto escrito por Isabella Barreto e Adélaïde Saillard


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



A morte da futura noiva

 

O telefone tocou em casa da avó, ela leventou-se e ouviu uma vozinha :

- Olá avó! É o António

- Olá querido ! Está tudo bem contigo?

- Sim, sim, mas queria ver-te para que me contes uma história.

- Uma história? Mas já te contei todas! Já não há mais para contar...

- Esta não, é para um trabalho ma escola, É a história da morte da Soraia Chaves.



- Não és demasiado pequeno para ouvires isso? Não é muito para a tua idade.
- Oh avó! Eu já sei mas ou menos a história mas como sabes tudo, quero que me contes.
- Esta bem... Então vens sexta-feira e eu conto-ta.
- Avozinha, não posso vir amanhã? é que estou muito curioso...!
- Está bem filhote!
- Então até amanhã, beijinho.
- Beijinho.

    Às 4 da tarde, António saiu aflito da escola para correr até a casa da sua avó, para que ela lhe contasse a história da Soraia Chaves. A porta da casa estava aberta, por isso, entrou e viu-a, sentada no seu sofá a esperar que le chegasse.
   António contou-lhe como se tinha passado o seu dia o mais rapidamente possível para que a sua avó começasse a contar a morte da Soraia Chaves.
- Tens que ter calma, vou agora começar a contar-te a história... estas bem sentadinho
- Sim!
- Bem... Vou começar por explicar-te quando Francisco Adam, o seu futuro noivo, estava na polícia a explicar onde encontrou a sua futura noiva morte. 

 

 

 

- Onde a encontrou ? Perguntou o comissário.

- Deitada no chão da cozinha, um copo de vinho partido perto dela.

- E a que horas a encontrou ?

- Por volta das 6 horas da tarde, quando voltei do meu treino de Golf...

    Francisco começou a chorar.

- A sua mulher naõ tinha inimigos, ou alguém que lhe quisesse fazer mal ?

- Mmmh... não tinha realmente inimigos potentes... mas a minha ex-namorada tinha muitos ciúmes dela.
- A Beatriz Batarda ?
- Sim, ela própria.
- Ok, muito obrigado, quando tiver mais notícias, chamo-o.

     Francisco volta para casa en pensa no fim trágico da sua noiva... « Porque é que ela morreu ? Agora que estávamos tão bem ? Não havia problemas nem de dinheiro, nem de casal... A vida deve mesmo ser assim tão injusta ? »

     Ele estava a remembrar-se da cena quando a viu deitada no chão, um copo de vinho do porto partido perto dela. Não havia sange, parecia ter tido uma morte « normal », mas ela não era assim tão velha, só tinha 30 anos...  É melhor deixar este caso nas mãos da polícia e pensar em distrair-me. »

    O marido foi no escritório e começou a trabalhar no seu próximo papel, para pensar noutras coisas.

 

 

     Entretanto, o comissário estava a interrogar a Beatriz. Ela era a suspeita numero 1...

- Bom dia Senhora Batarda.

- Bom dia comissário, em que é que posso ser util ?
- Queria perguntar-lhe algumas coisas sobre o caso da mulher do Senhor Adam, a Soraia.
-  Ainda não tenho nada a dizer ! Não tenho nada a ver com esse casal !
- Parece-me que você tinha ciúmes da Soraia porque ela roubou o seu namorado... O Francisco... E como você disse, talvez não tenha nada a ver com esse caso, mas tenho que fazer o meu trabalho; por isso, diga-me, por favor, onde estava no dia da morte da Soraia ?
- ...Estava em casa. Quer a morada ?
- Sim, se faz favor.
- Rua Dona Estefânia, nº15.
- Obrigado. Alguém pode justificar que você estava em casa ?
- Sim, o meu namorado o Manuel Cortez. Estávamos a beber um copo de vinho do Porto na sala de convívio, mais ou menos às 7 horas da tarde... nada de especial...
- Poderia trazer-me a garrafa se faz favor ?
- Eu repito ! Não tenho nada a ver com isso !
- Vamos ver... Poderia trazer-me a sua garrafa por favor ?
- Sim. Posso ir me embora agora ?
- Sim. Boa tarde.
- Adeus.

 

 


 

     Havia uma pessoa que estava mentido, mas quem ? A mais provável parecia a Beatriz, ela tinha uma garrafa de vinho do Porto, e quando encontraram a Soraia, ela tinha também um copo de vinho na mão... Mas também poderia-ser o Manuel... Tenho que interrogá-lo para saber mais...

     O supra-comissário passou e disse que o namorado da Senhora Batarda queria falar com ele.

 


- Mando-o entrar, disse o comissário.

- Faça favor, disse o supra comissário ao Senhor Manuel Cortez.

    Ele entrou e sentou-se.

- Bom dia Senhor Comissário.

- Bom dia, queria mesmo falar com você.

- Soube que a minha namorada Beatriz esteve aqui há uma hora atrás.

- Exatamente.

- O que tenho para contrar-lhe não é fácil de dizer... Sei uma coisa sobre a Beatriz...

- Sim?

- Acho que foi ela quem matou a Soraia.

- Porque é que diz isso?

- Soube que ela lhe disse que estávamos a beber um copo na sala, ás 7 horas. Mas eu, àquela hora, não estava com ela; tenho um carro velho na garagem. Só voltei a casa às 8h30 da noite.

- Está bem, mas o que é que o leva a dizer que foi ela quem matou a Soraia?

- Porque ela mentiu-lhe, não estava comigo como lhe disse, e também porque ela odiava a Soraia.

- Mmh... OK. Obriagada pela ajuda, chamo-o mais tarde quando estiver mais avançado no caso.

 

 


 

     Manuel Cortez saiu do excritório do comissário.

     Fransisco estava a praticar Golf quando o seu agente lhe anunciou que alguém lhe queria falar ao telefone.

 

- Estou?

- Bom dia Fransisco, é o Manuel Cortez.

- ... Manuel? ...Porque é que estás a telefonar-me

- Queria alguma coisa ?!

- Eu disse à policía que a Beatriz era a culpada da morte da Soraia!

- Mas... porque é que disseste isso?

- Não é verdade? Não me digas que não é ela ?! Porque espero ganhar dinhero graças ao processo, como testemunhei a teu favor...!

- Bem...

- O que é que se passa Fransisco? Tens dúvidas?

- ...Não! Não...!

- OK, então vemo-nos depois do processo, e que o melhor ganhe! AH AH AH!

- Sim, vemo-nos depois, adeus. 

 


     Quando o Fransisco desligou o telefone, ele começou a perceber-se que se tinha posto numa situação muito má. Talvez devesse contar a verdade toda sobre o que tinha acontecido... Esperou ter coragem no dia a seguir, no interrogatório...

     O comissário estava falar sozinho, pensando que se Soraia tinha morrido às 9 horas, como o médico legista o informou, o marido tinha-lhe mentido. « Quando o Fransisco chegou do se treino, a sua noiva ainda estava viva. Porque é que ele teria mentido? Ele não recebia nada do testamento porque tudo jà lhe pertencia... Mmh... é um caso estranho, tenho que perguntar mais ao Fransisco... Mas antes, vou comer porque tenho fominha! »

Enquanto comia, o supra Comissário chegou e o comissário contou-lhe os problemos que tinham ocorrido, e que ia interrogar o Fransisco Adam uma outra vez.


     Quando o Fransisco chegou ao centro de Policía de Lisboa, o comissário tinha acabado de comer e estava preparado para interrogá-lo.

- Boa tarde Comissário.

- Boa tarde senhor Adam. Queria perguntar-lhe algumas coisas ...

- Tem novidades sobre o assassino da minha futura noiva?

- É isso mesmo.

- Pensa como eu ?! Que a Beatriz assassinou a minha mulher?

- Justamente, porque é que o senhor falou no nome dela?

- Porque... porque... Ela era doida e não tinha aceitado o facto de a deixar para namorar a Soraia... Mas porque é que me perguntou isso? Não acha que foi ela?

- Acho que você me mentiu.

    Nesse momento, Francisco sentiu-se empalidecer. O comissário tinha descoberto ?! Mas como? O que é que ele tinha de fazer? Talvez fosse melhor ele contar tudo. E agora.

- Não me sinto muito bem, poderia ter um copo de água, se faz favor? disse o Francisco.

- Claro que sim, se tem que ter isso para me contar a verde, então já lho trago, disse o Commisário dum tom quase irónico.

- Sim... Sim...

 

 

     Francisco bebeu o copo que o supra-comissário lhe tinha dado. Depois, respirou e lançou-se, sentiu a emoção invadi-lo pouco a pouco.

- Não por a Beatriz que matou a Soraia.

- Isso eu sei, disse o comissário.

- Como soube? Era impossível alguém saber!

- Muito fácil: a ex-namorada tinha ciúmes da nova e então mata-a... Isso só se passa nos filmes senhor Adam. E o médico legista comfirmou a hora da morte da Soraia. Ela morreu às 9 horas da noite e não às 7 como tinha dito.

- ...Pois...

    Francisco calou-se, incapaz de falar.

- E depois? O que é que se passou? Porque é que a matou?

- Sou inocente!

- Ah sim? Então quem foi? A empregada?

- Estou a falar sério. Não a matei, amava-a tanto, teria dado tudo por ela...

- Eu também estou a falar a sério Senhor Adam, mas diga-me como é que ela morreu?

    Francisco calou-se mais uma vez ...

- Pedi-a em casamento, disse o Francisco o mais rapidamente possível, de cabeça baixa.

- Desculpe?

- Pe... Pedi-a em casamento.

- O senhor só pode estar a brincar! Oiça-me bem senhor Francisco Adam, se você não quiser que o processo corra mal, é melhor montar-me a verdade toda!

- Mas estou a dizer a verdade! Estávamos os dois na cozinha, bebendo um copo de vinho e saí o anel. E pedi-a em casamento!

    Foi a vez do commissário de se calar. Na verdade ele não sabia realmente o que é qe tinha que dizer.

- E... depois? Perguntou-lhe.

- Depois, ela pareceu feliz mas sentiu-se mal e caiu. Nessa altura a cabeça chocou contra o bar, o copo caiu e partui-se; ela caiu ao lado e bateu novamente com a cabeça. Ao princípio não me mexi porque pensava que ela estava a brincar comigo. E depois alguns minutos se passaram sem que ela se movesse; e tinha tanto medo que estava paralisado. Não queria acreditar no que estava ver...

- E?

- Chamei a policia. Só quando vi que a Soraia estava morta é que me apercebi que era verdade.

- E então porqu é que inventou o crime?

- ...Estava desesperado, não podia acreditar que o dia o mais lindo da minha vida se tornou o pior em tres segundos. Culpava-me...

 

 

 

 


    Houve um processo, o Francisco não foi para a prisão porque ele teve um bom advogado e o comissário sabia da história toda, então ele não o prejudicou; e o Manuel ficou sem o ginheiro, e sem namorada... » disse a avó.

- Que história tão triste...

- Vês que não é para a tua idade... Mas queres que te ajude a fazer qualquer coisa para o teu trabalho?

- Amanhã posso voltar para me ajudares? Porque agora tenho que voltou para casa...

- Não há nenhum problema meu querido...































A CRIANÇA

 

 

Olá, sou a Chloé e esta é a minha aventura.

 

Como todas as sextas-feiras à noite, a Susana estava em minha casa.

Não havia ninguém em casa e estávamos a ver um filme de terror. O filme chamava-se "The Children", é a história de uma doença que afecta as crianças. Quando elas ficam doentes querem matar toda a gente. O som estava a muito alto e havia muitos gritos. Quando o filme acabou fomos para o meu quarto para falar um bocadinho da vida. Q

De repente, ouvimos gritos. Moro em Barcarena ,perto da fábrica da Pólvora, e na minha aldeia não havia movimento de festa, só podia ser um grito de ajuda. Saímos a correr  e ouvimos mais um grito. Demos a volta à fábrica da Pólvora, sempre a seguir os gritos. Chegámos em frente a uma casa abandonada.

A Susana disse:

  - Não pode ser aqui.

   - Também acho que não - respondi.

Mais um grito:

  - Vamos entrar - disse a Susana

  - Tenho medo ...

  - Eu também, mas temos que ir ver lá dentro - disse a Susana e acertou.

 

Ela foi a primeira a entrar. Descobrimos uma sala vazia e abandonada. Quase não conseguíamos ver nada. Ouvimos mais um grito.

 

  - Quem é ?! O que é que se passa ? - perguntei.

  - Por favor, ajudem me.


Era a voz de uma criança.

  - Ajudem-me, ele vai voltar.

  - Onde estas ? - gritei.


Seguindo a voz, entrámos numa sala sem luz. Acendi o meu isqueiro e descobrimos um menino numa gaiola gigante. Ele era muito magro e tinha olhos à belenenses.

 

  - Vai voltar ! Vai voltar !, não parava de dizer o menino.

  - Quem? - perguntou a Susana.

 

O menino não respondia e continuava a gritar « Vai voltar ! »

 

Ouvimos um carro chegar.

  - É ele ! - disse o menino.

 

Escondemos-nos no primeiro armário que encontrámos. Ouvimos a porta abrir-se e alguém entrou na sala.

 

    - Entao, falas sozinho?

  - Sim ...
  - Trouxe um bocadinho e comida. Tome ! Volto amanha.

 

O homem foi-se embora. Esperámos que o barulho do carro desaparecesse e saímos do nosso esconderijo.

A Susana procurou uma pedra e partiu a fechadura da jaula. Peguei na mão da Susana e do menino, e saímos muito rapidamente.

Voltámos a minha casa e senti as lágrimas correr sobre o meu rosto. O menino também chorava, a Susana não.


    - Como te chamas ?

 

O menino chorava tanto que não podia falar.

  - Tenho ... fome.

 

A Susana deu um boloao menino, ele comeu e adormeceu.


  - Susana, temos que ligar à polícia.

   - Nao, eles não vão procurar a familia dele e vai ser orfao, ou vao pensar que somos nós que o raptámos. Temos que descobrir quem é o homem da casa ao lado da fábrica da Pólvora.
  - Tens a certeza que queres fazer isso?

  - Sim, não temos outras hipóteses. Agora temos que ir dormir, amanhã vai ser um grande dia.

 

No dia seguinte, fui acordade pelos gritos do pequeno, o menino saltou-me ao pescoço e começou a gritar para não chamarmos a polícia.

Ele chamava-se Pedro, tinha seis anos quando foi raptado.

A Susana acordou e enquanto ela estava a preparar o pequeno almoço, fiz perguntas ao Pedro sobre o homem da casa. Ele nao me diz muitas coisas, nem quis falar do que o homem lhe tinha feito.

Depois do pequeno-almoço levámos o Podro a casa da Adeline, uma amiga de confiança, ainda não lhe quisemos contar a história do Pedro, mas sabíamos que íamos ter de o fazer.

 

A Adeline estava muita contente por trátar do Pedro, dissemos-lhe que era o primo da Susana. Depois de beber uma bica em casa da Adeline, voltámos à casa onde tinhamos encontrado o Pedro. Quando entrámos a casa estava vazia, totalmente vazia, até a gaiola tinha desaparecida.

Mas no chão, no canto da sala, havia uma seringa. Era seringua para insulina: o homem era diabético. Era uma informaçao importanta e ao mesmo tempo sem valor, havia tantas pessoas com diabéte no mundo...

Vóltamos a casa para estudar e ter um momento de descanso. O Pedro dormiu em casa da Adeline.

 

No dia seguinte fomos buscá lo, e fomos ver uma exposicao do Salazar no CCB.

Ele estava um poco com medo, mas confiou em nós.

 


 

Quando chegámos lá, havia muita gente, o Pedro estava com fome, decidimos então ir aos Pastéis de Belém comer e beber qualquer coisa.



 


 








Voltámos para a exposição, quase não havia ninguém, entrámos sem fazer fila; e descobrimos a curiosa história de Salazar. Quando de repente o Pedro começou a gritar e fugiu.

  - O que é que lhe deu? Perguntou-me a Susana.

Nem acabei de ouvir a Susana falar, já estava a correr atrás do Pedro.

  - Pedro pára! O qué que se passa? Tens medo do Salazar?

  -Não, tenho medo do homem!

  -Viste o homem?

  -Sim

  - Onde?

  - No quadro.

  - Mas Pedro, não pode ser o homem, é o Salazar, ele morreu há muito tempo.

  - A sério!

 -Pedro acalma-te por favor! Vamos voltar para casa, eu acho que estas cansado.

Quando o Pedro adormeceu, eu falei com a Susana.

  -Ele diz que o homem era o Salazar.

  - O qué?!

  - Sim, ele disse-me isso … não percebo, se calhar o homem é parecido com o Salazar.

  - É possível. Ele teve muito medo do quadro, só pode ser isso

  - Então estamos à procura de um homem parecido com o Salazar e que tem diabetes.

 

Mais tarde, acendi a televisão. As notícias falavam da morte dum jogador de futebol.

   "Também na actualidade de Lisboa, hoje no Centro Cultural de Belém havia a terceira edição da exposição sobre o Salazar. Este ano o director inovou com a ajuda do neto do Salazar".

 

 


Ele era muito parecido com o avô dele.

Uma ideia atravessou-me a cabeça…NÃO! NÃO, não podia ser ele o homem…

No entanto, era o mais lógico. Quem podia ser mais parecido com o Salazar do que o neto dele?

A Susana chegou e ela também percebeu, quando olhou para a televisão

  - Ele?

  - Acho …

  - Temos que chamar a polícia.

A Susana ligou para a polícia e contou a história do Pedro.
Uma hora mais tarde, um inspector chegou a nossa casa.
Quando viu o Pedro, fez uma cara muito surpreendida.

   - Pedro?

   - Sim?

   - Sabes quem és?

   - Chamo-me Pedro.

   - E o teu apelido?

   - … Não me lembro.

  - Acontece muitas vezes com as crianças raptadas, elas começam a viver ao ritmo do raptor e esquecem-se completamente da identidade deles.
Tu és Pedro Cavaco Silva, neto do presidente de Portugal, os teus pais faleceram num acidente de carro quando tinhas um ano, o teu avô educou-te.

 

O Pedro tinha lágrimas nos olhos e um sorriso nos lábios.

  - Lembro-me. Quero ver o meu avô…

  - Ok. Mas antes quero saber tudo sobre o homem.

  - Ele tem uma voz muito grave.

  - O que é que ele fez contigo?

  - Foi mau, disse que nunca ia voltar a minha casa, ele disse que agora ele era o meu Deus.

Tinha que contar a nossa investigação.

  - Senhor com a minha amiga Susana, fizemos uma investigação e acho que encontrámos o culpado.
É o Roberto Salazar.

  - Não podem acusar assim uma pessoa tão conhecida sem provas!

  - Temos. Primeiro encontrámos, na casa onde o Pedro foi preso, uma seringa de insulina. O Roberto é diabético, está escrito nessa revista. No outro dia também fomos ver uma exposição sobre o Salazar; o Pedro chorou e gritou quando viu uma fotografia do Salazar: O Salazar não pode ser o culpado mas o neto do Salazar que é muito Parecido com o avô, pode…

  - Vou telefonas ao ministro: O Pedro volta hoje para casa dele e vou interrogar o

 Roberto Salazar.

Às três horas da tarde, um carro foi buscar o Pedro a nossa casa, ele deu-me um grande beijo.

  - Obrigado

  - Adeus

Não acreditava no que tinha acontecido naqueles dias.

 

   Uma semana mais tarde, o mundo inteiro falava dessa história. Comprei um jornal e na primeira página havia no título “ Pedro Cavaco Silva: a história.” Comecei a ler o artigo “ o tribunal de Lisboa, condenou o Roberto Salazar a quinze anos de prisão por ter raptado o neto do presidente, Aníbal Cavaco Silva.
O culpado não quis dizer nada sobre as motivações dele mas o psiquiatro Paula Martins acha que é um complexo de inferioridade extremo.
O menino voltou para casa dele já há uma semana e reaprendeu a viver depois de dois anos de vida numa gaiola. Não houve violências sexuais. O inspector Brana agradece a ajuda da Susana Valente e das Chloé Richard que descobriram o menino “

Isso é a minha história.

 

 

















































A Cavalariça

« No Alentejo, no meio de um campo há uma aldeia chamada Vila Bela, situa-se à beira de um rio onde há plantações de cereais, trigo, milho e muitas outras plantas. É uma pequena aldeia com casas pintadas de um branco pintalgado de cores vivas. O centro da aldeia tem uma pequena praça com uma linda igreja de arquitectura romana. »

 




Esta é a descrição da Vila Bela nos sites de Internet e nos guias turísticos, Vila onde desapareceu a Sandra, uma linda menina de 8 anos de idade, há 10 anos atrás. Estou agora a investigar sobre o caso, pois há dois dias, recebi o telefonema de um homem a contar-me sobre o caso do desaparecimento desta menina que, com o passar dos anos, foi esquecida.

O meu nome é Bosquet, João Bosquet, e eu sou um detective privado. Trabalho no gabinete de investigação de Évora, e dedico-me a investigar casos que nunca foram resolvidos . É por isso que, neste momento, estou a estudar o dossier da rapariga, ler os artigos e examinar as provas, para ver se consigo encontrar alguma pista.

 - Então, encontraste alguma coisa que possa ajudar?  - Perguntou o meu colega, Manuel Araújo.

 - Acho que sim.

 - Eu respondi com um sorriso, e estendi-lhe o meu dossier.

 - A família Sousa mora numa casa média, no centro da aldeia. O senhor Eduardo Sousa é proprietário de um bar na aldeia. Na altura do desaparecimento, a pequena Sandra tinha oito anos e nove meses, enquanto que o seu irmão mais novo, António, tinha cinco e dois meses. Como eles viviam perto de um bosque, as crianças costumavam sair para brincar lá fora. A aldeia sempre foi considerada segura, e do outro lado do bosque, vivia um amigo da família Sousa, o senhor André Ramos. Por essas razões, o Sr. E a Sra. Sousa nunca se preocuparam muito com o dacto das crianças passarem o dia todo a brincar no bosque, eles sabiam que se elas precisassem de alguma cois,a podiam ou voltar a casa ou bater á porta do Sr. André. Mas um dia, os dois sairam para brincar, e só o António voltou à noite. Ele dizia que não sabia onde estava a irmã, que ela tinha dito que já voltava e que nunca mais apareceu. Os pais esperaram horas e depois de muita espera chamarma a polícia. Ela investigou durante meses mas nunca encontrou a menina.

 - E interogaram esse tal André Ramos ?

 - Claro, toda a gente suspeitava imenso que tivesse sido ele, mas nunca houve provas.

 - Pois...

 - Mas pronto, agora é só esperar que o homem que me telefonou apareça. Ele disse que preferia falar pessoalmente, e nós combinámos encontrar-nos no meu gabinete daqui a bocado.

 - Ok, boa sorte então. Eu agora vou almoçar, manda-me um e-mail com todos os dados quando puderes, se faz favor.

 - OK, bom apetite!

Obrigado. »


Ele saiu da sala, enquanto isso, eu tirei do dossier a foto da pequena Sandra. Menina de olhos azuis, cabelos longos e castanhos encaracolados. Na foto, ela estava a sorrir mas faltava-lhe um dente da frente, o que me lembrou à minha sobrinha. A pele dela era branca excepto nas bochechas, que eram coradas, De repente, um barulho interrompeu a minha observação. Estavam a bater á porta. Levantei-me e fui abrir. Um homem moreno, com olhos grandes e verdes e de mais ou menos vinte oito anos entrou na gabinete.

 - Muito prazer. ele disse, e apertou-me a mão.

 - Eu chamo-me Miguel Rodrigues, continuou, fui eu quem lhe telefonou há dois dias, para falar sobre o caso da menina Sandra Sousa.

 - Sim, sim, bom dia Sr. Rodrigues, sente-se se faz favor. Sentou-se, via-se que estava muito estressado e agitado, pois não conseguia ficar quieto e suor frio molhava a sua testa.

 - Diga-me, eu disse por fim, quebrando o silêncio. O que é que se passa ? ». Ele fechou os olhos por um momento e suspirou.

Tudo começou há um mês atrás. Tenho um tio que vive na aldeia de Vila Bela, e há quatro semanas decidi ir visitá-lo, pois não ia lá há anos. Ele mora numa casa ao lado do rio, perto da floresta. A sua casa situa-se ao lado de uma cavalariça velha e quase abandonada.

 - Vila Bela, a aldeia na qual vivia a menina Sandra ?

 - Exacto.

 - Hum, estou a ver... Então e o seu tio, sabe alguma coisa sobre o desaparecimento?

 - Não, mas espere, eu já lá vou chegar. No dia em que eu cheguei, depois de almoçar com o meu tio subi ao meu quarto. A janela estava aberta e havia frio, por isso decidi ir fecha-la. Quando me aproximei, espertei e vi a velha cavalariça, que datava aproximadamente do século XVIII.

Enquanto contemplava a arquitectura da cavalariça, vi ao longe um homem a andar em direcção a esta. Ele estava a sair de uma casa ao lado, com um bocado mais de esforça percebi que ele estava a carregar uma bandeja cheia de comida. Achei estranho e fiquei um bocado intrigado. O que fazia um homem com uma bandeja, a ir com os cavalos? Fiquei mesmo muito intrigado, mas como estava super cansado decidi ir para cama. Passei horas la deitado, a pensar naquilo, e a rever a ceno na minha cabeça. Era mesmo muito suspeito… mas foi só no dia seguir que eu decidi lá ir para ver aquilo melhor. Contei a historia ao meu tio, que focou intrigado por sua vez. Depois disso desci as escadas e fui em direçao a cavalariça, já tinha pensado no meu pretxto:ia dizer que queria ver os cavalos, e se calha até monta-los. Fazia já imenso tempo que eu não montava cavalos. Cheguei lá e bati a porta. Um homem com um aspecto muito estranho abriu a porta. “O que é que queres?” perguntou ele com um tom seco.

Boa tarde, o senhor é o dono desta cavalariça?

- Sou… respondeu ele um bocado irritado.

- Ah, pronto. É que eu sou uma pessoa que gosta muito de cavalos. E já há um temo que não monto. Por isso, queria saber se podia montar num dos seus…”

O homem pareceu tão irritado pelo que disse antes que dei meia volta em direcção do portão e disse-lhe ao mesmo tempo:

- Acho que vou passar cá noutro dia…”

Ele respondeu: “Sim, tenho trabalho!” e bateu com a porta na minha cara.

O senhor Rodrigues marcou uma pausa e perguntou:

- Com licença, poderia dar-me um copo de agua?

- Sim, claro. Eu fui ao distribuidor e enchi um copo de água e dei-lho

- Obrigado. Bebeu um golo e pousou-o sobre a secretária.

- Continue.

- Então voulteu a casa do meu tio, durante o jantar e perguntei-lhe se conhecia o proprietário do domínio equestre…

- Sim e então? Perguntei.

- Sim, ele disse me que se chamava André Ramos, tem a mesma idade do que eu, da única vez que eu vim visita-lo, quando eu ainda era pequenino, demo-nos super bem! Não me lembro disso. Mas desde que ele me disse, veio-me uma imagem á cabeºa de eu a brincar com um rapazinho.

- Mas ele mudou muito não foi?

- Sim, mas lembro-me que desde pequeno ele já era estranho, agora a diferença é que ele é antipático e o físico, claro.

  - Ok, continue, eu disse.

- Depois do jantar, voltei ao meu quarto, olhei pela janela com o ontem; vinte minutas mais tarde a cena de ontem a noite recomeçou, vi o homem a trazer uma bandeja com comida e também uma novidade, tinha um vestido no seu braço. Ok, em relaçao a comida, pude pensar que ele queria comer com os cavalos, é estranho mas pronto, agora o vestido …

- E tinha pensado que a Sandra poderia estar na cavalariça.

- E uma ideia sim, mas é uma loucura ! Dez anos, parece impossível mas olhe, no dia a seguir, decidi fazer uma segunda tentativa com o meu velho amigo - que nem sabia quem eu era -. Bati ao portão da propriedade, o André abriu e com um tom seco pergunto:

- Você outra vez ?!

- Hum … sim, perguntei-me se era possível montar a cavalo? Já disse ontem que iria voltar…

-…sim sim ! Siga-me !”

Levou-me em direcção à cavalariça e parou em frente a uma grande porta.

espere aqui!” Disse ele.

Entrou e saiu dez minutas mais tarde com um cavalo branco de altura média.

Montei-o e foi tão giro! Mas não é importante por agora. Prendi o cavalo à barreira e partiu a procurar ao homem. Entrei num edifício, numa sala. No fundo havia uma porta, vi um compartimento. E aqui, você nem queira imaginar o que lá estava . Uma multidão de fotos de uma menina, artigos de jornais, desenhos… e mesmo vestido de rapariga de tamanhos diferentes.

- Eh pá!

- Sim é mesma. Estava a olhar para a parede quando ouvi um barulho; o homem gritou, acho que ele percebeu que tinha descoberto o esconderijo. Passei pela janela e ele começou a correr.

Meu Deus pensei que ele me ia matar!

- Calma, o senhor ainda está vivo!

- Sim mas que maluco!

- Então e o que é que fez depois?

- Depois fugi, voltei à cidade, para o meu apartamento.

- E telefonou-me durante o viagem não foi?

- Foi…

- Então, vamos lá agora.

- Eu? Não! Não quero morrer!

- Você vem connosco, não se preocupe! O meu colega estará lá.

Ele decidiu finalmente de vir connosco.

Depois de quarenta minutas de viagem, chegámos a Vila Bela.

Primeiro tivemos de encontrar a família da Sandra. Eu, o meu colego Manuel e o Sr. Rodrigues saímos do veículo. Fomos à praça da aldeia. O Manuel perguntou?

- Eles têm um bar não é?

- Têm um sim, o único da aldeia.

- Então é mais fácil, a bar está em frente, vamos.

Havia três ou quatro pessoas no bar mais a empregada de mesa. Sentei-me no bar e perguntei se alguém sabia onde poderia encontrar a família Sousa.

A empregada disse: “Porque?”

Ela era jovem, com cabelos lisos e loiro. Eu mostrei-lhe o meu cartão de detective e disse:

- Temos de encontrar a família Sousa por causa do desaparecimento da Sandra.”

De repente, ficou pálida e disse-me:

- E…Eu v…vou chamá-los.”

Ela abriu uma porta no fundo do bar.

Dois minutas mais tarde, um homem e uma mulher entraram, os dois eram magros. O homem, o Pedro Sousa tinha olhos azuis, cabelos curtos e castanhos, tinha vestido uma t-shirt branca com uns jeans. A mulher, Carminda Sousa tinha a pele bronzeada, olhos verdes e cabelos loiros com caracóis. Ela tinha vestida uma saia preta com ténis brancas.

- Bom dia, eu disse, sou o detective João Bosquet. Desculpe voltar a caso sobre o desaparecimento da Sandra dez anos depois mas encontrámos pistas e temos de acabar a investigação.

Eu chamei-vos mas preciso ver o vosso filho. Ele está aqui?

- Sim eu vou chamá-lo.

- Obrigado.

Um momento depois o filho entrou.

- Olá, disse eu.

O menino não repondeu nada, mas os seus olhos exprimiham algo, ele tinha o cabelo castanho e liso e tal como a sua irmã também tinha olhos azuis e covinhas.Ele levava uma camisa ás riscas e umas calças de ganga com extratos de corro.

Ele parecia estar muito assustado , os seus olhos brilhavam.

-Tudo bem?
O menino me respondeu com um soriso timido.Eu fiz o mesmo.
- Então, eu vou precisar que tu me ajudes a perceber o que se passou da ultima que brincaste na floresta com a Sandra.
O menino nao disse nehuma palavra.
- Eu não te vou fazer nehum mal , podes confiar em mín .Conta me simplesmente esta tua tarde....
Ele estava preparado a abrir a boca para dizer algo, mas depois voltou s´a calar.
- Antonio não precisas de ter medo, os teus pais estaõ aquí ao teu lado.
Ele finalemente decidiu se a falar.

- Bem,ja não me lembro muito bem, só sei que havia um homen estranho com umas botas gigantescas que veio ter conosco, ele nos perguntou-nos se podia brincar conosco, ele parecia estar triste.
Ele deu uma pausa um instante e olhou para mi com os seus olhos pequenos como se ele nao ousasse continuar.

-Muito bem meu rapaz, continue...

O menino lançou-se e desta vez não parou.

-Eu não queria que ele brincasse conosco más a sandra disse que sim.Brincámos ás escondidas, eu estava a contar e a Sandra estva muito bem escondida, más o homem estava mesmo atráz de mí e disse me que fui muito maú de não ter querido que el brinque conosco.

-Foi ó isto?

-Sim, e depois só me lembro que acordei numa cama de hospital. É tudo que me lembro...

-Muito bem menino António, muito obrigado.

Eu fui agradecer a familia e saí do bar com o Manuel e O Miguel Rodrigues.

Entrémos no carro e fomos a busca da propriedade sinistra, o Miguel ajudou nos a chegar até la.

Chegámos finalmente ao local, era effectivemente uma velha propriédade cuja pintura saía pucou a pouco, era mesmo lindo. Bati ao portão...Niguem respondeu mas a porta , por milagre , estava aberta. Entrámos então, e vimos ao longe o André. Logo que nos , assustou-se e fugíu. Fomos então atréz dele tomando caminhos diferentes para depois poder bloquiá-lo. Finalmente o apanhámos atáz da cavalariça, Manuel o manietou e obrigou-lo a falar no local onde estava a criança.

- Ela está la dentro não é?!! disse-o.

O homem com um olhar cheio de raiva exclamous- se: « Ela é minha! Minha!! »

Eu e Manuel o levémos até a cavalariça. Miguel abriu abriu a grande porta após a minha ordem , e entrámos todos.

 


Manuel agarrou fermamente o homem aos cavalos.

Eu e o Miguel revistrámos cada caixa , e O Manuel continuava a perguntar ao André onde estava a Sandra escondida.

-Mas ela etsá conosco! Disse ele a rir-se. Ela nos está a ouvir, e voces acordaram.a de certeza! Disse ele , desta vez irritado.

Olhamos uma para o outro, Manuel e Miguel estavam muitó surpresos. Eu fui em direçao ao André quando senti uma das lajes do chão mexer.

-Em baixo , cláro! Exclamei me. Miguel , andem ca ajudar-me.

Um cadiado bloquiava, eu peguei na minha pistola e dei um tirro dentro para o quebrar.

Levantámos as lajes, elas nao eram muito pesadas, era uma laje fina por cima de uma placa de aluminum .Eu deixi para baixo. Era uma sala escuro simplesmente esclarecida por velas e havia lá uma mesa e um banco , e mais ao fundo uma cama. Eu me dirigia até a cama , e o André não parava de gritar atráz de mí. Alí na cama uma menina, desculpe uma jovem mulher dormia com uma boneca de pano . Os seus caracois castanhos caíham lhe na cara.

-Sandra? Disse lhe devagarinho.

Ela virou se para mí, os olhos meio abertos. Era mesmo ela. No mesmo instante levantei -a nos meus braços, levei-a acima e chamaram reforços e logo a ambulancia.

Uma vez de volta ao poste de policia , o André foi interrogado, contactámos ali a familia Sousa que loo foi encontar a sua filha no hospital.

Entraei na sala interrogatoria onde estava o André. Sentei me em frante a ele e fixei-o durante o certo tempo. Ela rui se a unhas , fixando a mesa e ria se nervosamente. Acabei por lhe perguntar;

-Quando é que falas? Nhehuma resposta , levei isso como resposta negativa.

Nos encontramos o corpo da Sandra com imensos cortes , nodoas negras e marcas de mãos nos seu corpo que só podiam ser suas. Sabemos também que voce abuso dela , com esta crueldade toda voce acha mesmo que lhe trouxe alguma affecçao? Mas enfim oque que lhe passou pela cabeça?? Uma criança de 8 anos que voce sequestrou durante 10 anos!!

Eu observava o homen sentado na cadeira e não sabendo o que fazer e torcendo os seus dedos.

Ele cochichava fraseas, ou melhor palavras, sim palavras: “Desculpa, não oiço o ques estas a dizer”disse-o.

Precia que ele se ria e chorava ao mesmo tempo. Ele não parava de repetir: “ela é minha, ela é minha...”.

Saí então do cabinete.

Durante uma semana continuamos a interrogatoria eté termos sufficientemente informaçoes para concluir que el era maluco, mesmo que soubémos antes, decobrimos que ele ele sempre foi batido pelo pai desde a sua infancia, o que chocou o Manuel Rodriguez.

Filho de um rico propriétario ,era um menino estranho que sempre foi victima de gozos dos outros. Quando o seu pai morreu tinha 18 anos, a sua mãe o abandonou apos a morte do pai levou o dineiro e o deixou sozinho com a propriedade e os cavalos. O psycologo com a qual trabalhámos disse nos durante a reunião que o coitado homem sempre foi rejeitado pelos outros, escluido da sociedade e quando a Sandra, que ela era muito diferente das pessoas da aldei, aceitou brincar com ele, ele jà não quis a deixar partir e cuidou dela durante 10 anos; "Ele esta completamente obscado por esta criança! ele não la quer deixar partir." Disse  Nuno Gonçalves , o psycologo.

- Suponho que pensa em interná-lo? Perguntei-lhe.

- A manha eu levarei o a clinica.

Um mês depois, tive notícias da parte do Dr. Nuno Gonçalves sobre qual o seu ultimo paciente, André Ramos era um elemento muito dificíl na clinica e a sua obscessão pela Sandra não passava.

Falando da Sandra, ela veio visitar me há algúns dias. Ela estva melhor apesar do choque de voltar a vida real  depois de ter estado feichada durante 10 anos. A sua familia, felizmente  dá lhe muito carinho e amor  e está sempre  ao seu lado e até decidiram mudar-se para cidade de modo a que a jovem mulher haja mais facilmente acesso aos cuidados medicos.

 

FIM.